O Bicho do Ferro: A importância do Desafio

O estabelecimento de objectivos na vida de cada um é um acto perfeitamente inconsciente e diário. Seja acabar uma tarefa a determinada hora, preparar uma refeição diferente, praticar um desporto, obter uma promoção, é saudável que se presentei a nossa existência com o princípio da auto-superação. Repare-se que não exorto aqui a uma obsessão compulsiva rumo ao perfeccionismo, mas antes a compreensão da extrema necessidade de se combater a acomodação, com o estabelecimento de uma meta melhor. Agir de forma a que sejamos melhor hoje do que fomos ontem. Seja por conseguir uma nota melhor, por ligarmos a alguém com quem não falamos há muito, como pedir desculpa por um erro, dar uma trinca naquele fígahttps://paleolifter.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=170&action=edit#do de aspecto horrível, entregarmos um bilhete com o nosso número e uma mensagem simpática a uma rapariga deslumbrante( quem anda no Metro de Lisboa sabe ao que me refiro, se não sabe experimente), o que seja que nos faça ser melhores. Ou melhor, que nos ponham mais no caminho daquilo que queremos atingir.

Aqui entra o bicho do ferro: como filho único até aos 11 anos, e de temperamento recatado, nunca encontrei motivação forte na prática de desportos colectivos. Acabava por ser mais um, por não me satisfazer, por não ter muitas vezes chance de me auto-superar. No futebol, acabei por desitir após uma temporada. O basquete não durou uma temporada inteira. O voleibol ainda no ensino básico limitou-se a dois anos lectivos. Nada me permitia ser eu, puxar por mim, vencer-me, crescer e ser melhor. Até que descobri o treino de força. Tudo começou como muitos outros: os 18 anos traziam mais preocupação com o meu corpo, com os excessos dos primeiros meses de faculdade, com a falta de exercicio que a prática de várias modalidades nunca tinha preenchido. Comecei por aderir á passadeira, aos halteres e ás máquinas de isolamento. Não sabia o que era um agachamento, o que era um peso-morto, muito menos o que era incorporá-los num plano de treino, não como apenas um meio para um fim, mas como um desporto, um fim em si. Após um ano de prática de rotinas típicas de curls de bicipe, remadas á nuca e exercícios isolados de peito, o pouco progresso começava a desmotivar. Comecei a procurar mais informação e encontrei a comunidade do fórum Bodybuiliding.pt. Comecei a entrar nas rotinas de hipertrofia, ganhei uma visão diferente dos propósitos de uma alimentação mais equilibrada. Cometi erros atrás de erros. Aprendi como nunca. Descobri gradualmente o treino de força. O meu primeiro peso-morto foi feito em Março de 2011, com uns míseros 70kg e uma técnica absolutamente horrível. O meu primeiro agachamento(devo dizer semi-agachamento, tal era a pouca profundidade do movimento) com 80kg deixou-me dorido por 4 dias. A busca pela auto-superação levou-me até a atletas clássicos do culturismo, que nos anos de ouro da década de 70 haviam usado muitos dos movimentods básicos como peça fundamental do seu treino. Encontrei e li o programa Stronglifts, e foi esse o meu primeiro programa dedicado á Força. Subi as minhas marcas, melhorei a técnica em todos os movimentos, aprendi a destruir limites e a criar novos.

Hoje treinei com um amigo, e consegui agachar á paralela 172.5kg. Esta é a beleza de estabelecer desafios: quando os vencemos, somos melhores. Quando começo a carregar a barra para o meu treino, não existe problemas familiares, não existem low-carb ou high.-fat. Existe a excitação de me confrontar, de ser mais uno por ser psicológico e ser físico, de ser maior por ser mais forte. Não compito com o outro, compito comigo. Falo comigo, e entro em despique pessoal. Quero tanto vencer o que fui no último treino, no último mês, no último ano.

Sugiro a todos que se dediquem a uma actividade que os apaixone, motive e melhore. Terão menos stress, menos preocupações, estarão mais entretidos e tudo ficará melhor. E merecerão mais cada grafada de comida que coloquem na vossa boca. Afinal, fizeram por viver não mais um dia, mas um dia melhor.

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